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SPDA (Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas): o guia definitivo

SPDA (Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas): o guia definitivo

Sim, raios caem o tempo todo no mesmo lugar. Acontecem e causam danos dispendiosos e, às vezes, irreparáveis quando as normas de segurança necessárias não são seguidas.

Casas, edificações, condomínios, galpões, todos podem ser afetados por uma consequência grave, como um incêndio, ou curto-circuito, e lá se vão importantes equipamentos eletrônicos, estruturas fundamentais para o funcionamento dos serviços prestados, ou o pior de tudo, vidas podem ser perdidas.

Como se formam os raios

Segundo dados do ELAT (Grupo de Eletricidade Atmosférica) – INPE, o Brasil é o país campeão mundial em incidência de raios, com 78 milhões deles caindo todo ano por aqui.  De 2000 a 2019, foram causadas um total de 2.194 mortes no país. As circunstâncias das fatalidades “em casa” e “áreas cobertas” somam juntas 29%.

Entre as atribuições de um técnico de segurança está o gerenciamento de risco, ou seja, evitar ao máximo que tudo isso aconteça. Para tal, é preciso saber o que significa o SPDA.

técnico de segurança responsável

Os técnicos de Segurança são responsáveis por garantir o cumprimento de todas as normas.

O que significa SPDA?

Um SPDA é um sistema de proteção contra descargas atmosféricas. Também é conhecido popularmente como pára-raio. Seu objetivo é reduzir danos que possam ser causados em instalações, edificações, antenas, tubulações e outros componentes eletrônicos atingidos por esses fenômenos naturais. Mais do que isso, traz também segurança para as pessoas que estão presentes nesses lugares naquele momento.

composição externa SPDA

Composição externa de um SPDA. Fonte: Engenharia 360

O sistema é composto externamente pelos subsistemas de captação, descida e aterramento. Estes são assim constituídos:

– Captores (pára-raios, hastes ou cabos em telhados, coberturas e mastros): destinados a interceptar as descargas atmosféricas.

– Descidas (cabos nas laterais da edificação ou barras dentro dos pilares): destinadas a conduzir a corrente elétrica desde o captor até o subsistema de aterramento;

– Aterramento (cabos e barras enterrados no solo): conduz e dispersa a energia na terra. Este elemento pode também estar embutido na estrutura.

Além dos componentes citados, estão presentes na ABNT NBR 5419-3 notas sobre a importância da equipotencialização como uma medida essencial para reduzir os perigos de incêndio e de explosão e o risco de vida.

A redução de danos físicos de uma edificação, por exemplo, pode ser obtida por ações que limitem o desenvolvimento e propagação de fogo, como compartimentos à prova de fogo, extintores, hidrantes, instalações de alarme de incêndio e extinção das flamas, além de rotas de fuga.

Já o SPDA interno deve evitar a ocorrência de centelhamentos perigosos dentro do volume de proteção e da estrutura a ser protegida devido à corrente da descarga atmosférica que flui pelo SPDA externo ou em outras partes condutivas da estrutura.

São consideradas medidas de proteção contra surtos (falhas dos sistemas elétricos e eletrônicos) possíveis:

 a) medidas de aterramento e equipotencialização;  

b) blindagem magnética;  

c) roteamento da fiação;  

d) interfaces isolantes;  

e) sistema de DPS coordenado.

Estas medidas podem ser usadas sozinhas ou combinadas.

equipotencialização

Exemplo para equipotencialização principal, local e suplementar. Fonte: Programa Eletricista Consciente

Ainda há as medidas de proteção para reduzir danos a pessoas devido a choque elétrico:

a) isolação adequada das partes condutoras expostas;

b) equipotencialização por meio de um sistema de aterramento em malha;  

c) restrições físicas e avisos;  

d) ligação equipotencial para descargas atmosféricas (LE).

Porém, nada disso adiantará sem a presença de um SPDA regularizado.

Como ocorrem a implantação e manutenção da SPDA

A determinação da implementação do SPDA se dá pelo resultado de laudos técnicos feitos no local, por profissionais qualificados, ou seja, que conhecem e sabem aplicar todas as normas para o tipo escolhido de construção. Esses profissionais, com sua devida ART (anotação de responsabilidade técnica), são, em sua maioria, engenheiros que tiveram acesso a esse tipo de conteúdo em sua formação.

O trabalho não fica, porém, somente na implementação do equipamento. Após essa etapa, todos os documentos técnicos têm que permanecer acessíveis para futuras consultas durante os processos de inspeção. Esses processos possuem um cronograma rígido para manter tudo funcionando perfeitamente, com segurança garantida.

A inspeção do sistema deve ser feita durante a construção da estrutura, após a instalação do SPDA, após modificações ou correções, ou ainda sob suspeita de que o local foi atingido por um raio.

É de responsabilidade do profissional que emite a documentação recomendar, baseado nos danos encontrados, o prazo de manutenção no sistema, que pode variar desde “imediata” a “preventiva”. Cabe a ele também informar ao responsável pela estrutura de todas as irregularidades observadas através de relatório técnico emitido após cada inspeção.

Normas que regem a SPDA

A norma regulamentadora nº 10 (Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade) faz obrigatória a disponibilidade da documentação das inspeções, medições do SPDA e aterramento elétrico nas construções com carga instalada superior a 75 kW.

Essas informações então devem fazer parte do Prontuário das Instalações Elétricas.

Para que os riscos sejam reduzidos a níveis toleráveis, é necessário seguir as especificações estabelecidas na norma ABNT NBR 5419:2015, sob o título geral “Proteção contra descargas atmosféricas”.

abnt nbr

Relação entre os tipos de perdas resultantes das categorias de danos e seus riscos correspondentes.

A NBR 5419:2015 exige que a seguinte documentação técnica deve ser mantida no local, ou em poder dos responsáveis pela manutenção do SPDA:

a) verificação da necessidade do SPDA (externo e interno), além da seleção do respectivo nível de proteção para a estrutura, por meio de um relatório de uma análise de risco;

b) desenhos em escala mostrando as dimensões, os materiais e as posições de todos os componentes do SPDA externo e interno;

c) quando aplicável, os dados sobre a natureza e a resistividade do solo; constando detalhes relativos à estratificação do solo, ou seja, o número de camadas, a espessura e o valor da resistividade de cada uma;

d) registro de ensaios realizados no eletrodo de aterramento e outras medidas tomadas em relação à prevenção contra as tensões de toque e passo. Verificação da integridade física do eletrodo (continuidade elétrica dos condutores) e se o emprego de medidas adicionais no local foi necessário para mitigar tais fenômenos (acréscimo de materiais isolantes, afastamento do localetc.), descrevendo-o.

A quem devo apresentar o SPDA?

Tantos orgãos públicos como privados podem exigir a construção e os documentos de inspecções periódicas do SPDA. É nessa hora que se algo estiver fora das normas, o responsável técnico poderá ter que responder civil ou criminalmente por esse problema, já que terá permitido falha na segurança do local.

Além da NR-10 citada anteriormente no texto, o Código do Consumidor também exige que as regras da ABNT sejam cumpridas, através da avaliação dos riscos que cada edificação apresenta. Em adição, poderão também ser apresentadas as exigências a seguir:

– Corpo de Bombeiros: vai intervir para proteger tudo que pode afetar o bem-estar público e coletivo, emitindo laudos que confirmem a segurança dos locais para a população;

– Decretos municipais ou estaduais também poderão influenciar na entrega dos laudos necessários para abertura e funcionamento das construções;

– Seguro: a seguradora pode se negar a pagar a indenização a um estabelecimento sem SPDA regularizado. Também pode reduzir o valor da apólice quando o sistema estiver dentro das normas, garantindo assim, menor risco de danos;

– Empresas que trabalham com a emissão certificações essenciais para diferentes tipos de empresas.

Prevenção é economia de tempo e dinheiro

Pode parecer muita coisa a ser instalada e o pensamento vai direto no orçamento que o cliente vai liberar, especialmente clientes com instalações menores. Porém, é fundamental ter em mente que cada tipo de construção tem suas próprias demandas, maiores ou menores do que para outros locais.

Os laudos técnicos que irão dizer a quantidade de material e processos necessitados de acordo com os fatores de risco. Além de outros fatores influentes, como, por exemplo, se a instalação do SPDA começou logo no início das fundações da construção ou não.

Será que a normalização vai implicar em gastos impossíveis?

Um projeto de dimensionamento de para-raio dura poucos meses, porém sua proteção é aproveitada por muitos anos. Somando a isso os benefícios secundários desses instrumentos, sendo um deles evitar a burocracia, o estresse e o desperdício de tempo tendo que recorrer à concessionária de energia após a queima de um equipamento ou problemas maiores.

A resolução nº 360/2009 da ANEEL informa o prazo de até 90 dias da ocorrência da descarga atmosférica ou da queda de energia para uma concessionária aceite a queixa. A partir daí, para que sejam feitas as substituições necessárias, precisa-se de um laudo cujo tempo de análise é bem maior do que o esperado diante de uma emergência.

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Efeitos das descargas atmosféricas nos vários tipos de estruturas. Fonte: ABNT NBR5419-2015

Conclusão

O SPDA é um componente de segurança indispensável em muitas ocasiões, por proteger vidas e patrimônios. O técnico de segurança tem que estar sempre alerta para contratar os profissionais certos para os serviços de instalação e manutenção.

É bastante tentador, em alguns casos, chamar pessoas que se dizem capacitadas para tal, como eletricistas e pedreiros autônomos que podem trazer um resultado muito cômodo para o bolso, além de dar uma sensação de estar “quebrando um galho” para a empresa. Porém, as consequências futuras tanto para o estabelecimento quanto para a reputação do técnico de segurança podem ser catastróficas.

Cada estabelecimento irá apresentar uma demanda diferente para a sua proteção. Tudo dependerá da avaliação correta de riscos no local. Então, é prudente fazer uma pesquisa minuciosa de quem contratar e ficar em dia com as normas, sem se preocupar com resultados de fiscalizações ou futuros graves acidentes.

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