Gestão de Segurança do trabalho: o guia definitivo para profissionais do ramo

Segundo o relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho), todo ano cerca de 2,78 milhões de trabalhadores morrem em acidentes de trabalho e outros 374 milhões se ferem ou são acometidas por doenças causadas direta ou indiretamente pelos seus empregos.

Tendo isso em vista, é clara a importância que a segurança do trabalho tem no cotidiano de qualquer empresa que deseja manter um ambiente de trabalho seguro, saudável, e é claro, dentro de todas as normas vigentes.

E além disso, a segurança do trabalho garante, não só a integridade dos colaboradores , mas bons resultados para o crescimento saudável e sustentável de um negócio. Por isso investir nessa gestão é tão importante para qualquer empresa que deseja permanecer competitiva no mercado.

A seguir, você irá conferir o guia completo para profissionais de segurança do trabalho, com tudo que você precisa saber sobre esse ramo para se tornar um gestor de sucesso.

Segurança do trabalho: o que é

A segurança do trabalho é o conjunto de medidas, atividades, normas e ações adotadas que visam a prevenção e diminuição de acidentes no ambiente de trabalho e doenças ocupacionais; sempre protegendo a integridade e capacidade dos colaboradores no ambiente de trabalho.

Para isso, o profissional responsável se utiliza de técnicas e metodologias específicas, já estudadas e otimizadas para identificar possíveis causas de acidentes e doenças geradas pelo trabalho; reduzindo novos acidentes e promovendo uma melhor qualidade de vida para os funcionários.

Aqui no Brasil, a segurança do trabalho é regida pelas Normas Regulamentadoras, conhecidas como NRs.  São normas, leis e decretos que estabelecem como a segurança deve ser gerida em cada tipo de ambiente e empresa.

As empresas, por sua vez, geralmente têm um departamento dedicado à gestão da segurança do trabalho, onde profissionais altamente qualificados trabalham para identificar possíveis causas de acidentes ou doenças, assim como desenvolvem procedimentos, técnicas e métodos para garantir o controle e prevenção dos mesmos.

A importância da gestão de segurança do trabalho em uma empresa

A gestão da segurança do trabalho zela pela qualidade de vida dos funcionários e mantém o ambiente de trabalho seguro e saudável. Tudo isso influencia diretamente no bem-estar da equipe, otimizando a produtividade dos profissionais.

No quesito financeiro, a gestão de segurança do trabalho também é crucial, pois evita processos judiciais, extremamente nocivos para qualquer tipo de negócio, pois além de denegrirem a imagem da empresa, geram altos custos financeiros.

Outro ponto importante que também influencia no crescimento de um negócio, é que a gestão reduz consideravelmente os casos de afastamento de profissionais por questões médicas, fator que pode atrapalhar muito a rotina e produtividade da empresa.

Os principais termos utilizados na segurança do trabalho que você precisa conhecer

É importante conhecer alguns dos principais termos e siglas utilizados na gestão de segurança do trabalho. Confira abaixo:

EPI e EPC

EPI e EPC são as siglas para Equipamentos de Proteção Individual e Equipamentos de Proteção Coletiva, respectivamente.

As EPIs são equipamentos que cada pessoa tem que utilizar para garantir a sua segurança individual em tarefas de risco no trabalho, como capacetes, protetores de olhos e faces, luvas e macacões, por exemplo.

Já as EPCs são equipamentos que visam garantir a integridade física coletiva de todas as outras pessoas que transitam em um determinado local. São exemplos de EPC’s: extintores de incêndio e hidrantes, detectores de fumaça e sprinkles e kits de primeiros socorros.

Ficha de EPI

A ficha de EPI é um documento que comprova que o equipamento foi devidamente entregue ao funcionário. O funcionário que estiver em posse do equipamento deverá assinar o documento antes de iniciar sua atividade no local de trabalho. A ficha de EPI é indispensável para garantir que a empresa não seja punida injustamente, caso tenha entregue o equipamento de segurança ao funcionário e, por algum acaso, ele não utilize o equipamento e se acidente estando desprotegido.

CIPA

Cipa é a sigla para Comissão Interna de Prevenção dos Acidentes. É um grupo interno, formado por representantes dos funcionários e da empresa. Esses representantes se reúnem periodicamente para discutirem sobre situações de risco e como solucioná-las.

A CIPA deve existir em toda empresa que possua mais de 20 funcionários.

Mapa de risco

O mapa de risco é um documento obrigatório, que deve ser estruturado pelos membros da CIPA. Trata-se de uma representação gráfica que identifica os pontos no local de trabalho que podem causar algum malefício à saúde dos funcionários, como locais perigosos e suscetíveis a acidentes. Com ele, torna-se possível auxiliar os colaboradores a serem mais cuidadosos em certas áreas.

Ordem de serviço

A ordem de serviço é um documento que apresenta ao colaborador os riscos presentes no local de trabalho, assim como as medidas a serem tomadas para prevenção e proteção do mesmo ao exercer suas atividades diárias.

Atestado de saúde ocupacional (ASO)

O atestado de saúde ocupacional é o documento que comprova se o funcionário está fisica e mentalmente apto para exercer uma função na empresa. Nesse documento são registrados todos os exames de admissão, de desligamento, de retorno ao trabalho e de alterações de funções.

Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA)

O PPRA é um programa que define metodologias que garantam uma melhor qualidade de vida para os funcionários, evitando acidentes ou doenças ocasionadas no ambiente de trabalho, ele é definido com base em análises do ambiente. Toda empresa precisa ter o PPRA, independente do grau de risco.

Programa de Controle Médico de Saúde operacional (PCMSO)

O PCMSO é um programa que também tem o objetivo de identificar antecipadamente fatores que possam comprometer a saúde e bem estar dos colaboradores de uma empresa. As atividades inclusas no documento são: O mapeamento de zonas de risco e realização do mapeamento de doenças mais frequentes e direcionamento dos colaboradores a seus respectivos tratamentos.

Laudo Técnico da Condição de Ambiente do Trabalho (LTCAT)

Independente do setor em que a empresa atua ou do número de funcionários, esse documento é obrigatório caso haja colaboradores celetistas (em regime CLT) empregados. O documento apresenta se os funcionários têm direito ou não a aposentadoria especial, concedida em caso de trabalho exposto a agentes nocivos à saúde.

Laudo de Insalubridade

O Laudo de insalubridade é um documento que define a existência de algum agente que cause danos à saúde do funcionário no longo/médio-prazo. Caso o laudo acuse positivo, o funcionário terá direito a pagamentos adicionais de insalubridade. Alguns exemplos de agentes nocivos à saúde no ambiente de trabalho são ruídos, umidade radiação não ionizante e frio.

Laudo de Periculosidade

O laudo de periculosidade é um documento que define a existência de situações que coloquem a vida do colaborador em risco, como inflamáveis, substâncias radioativas, explosivos e atividades de segurança. Assim como o laudo de insalubridade, caso seja positivo, o funcionário terá direito a pagamentos adicionais, por periculosidade.

As principais funções do departamento de segurança do trabalho

As funções de um departamento de segurança do trabalho são bem abrangentes, mas listamos abaixo suas principais atividades exercidas em uma empresa.

Garantir que as NRs sejam cumpridas

As NRs (Normas Regulamentadoras) são bem amplas e complexas, tornando-se difícil que toda a equipe de funcionários às sigam nos mínimos detalhes. Por isso o departamento de segurança do trabalho precisa garantir que todas as normas sejam cumpridas à risca na empresa.

Na prática, por exemplo, o departamento de segurança do trabalho irá providenciar EPIs, acompanhar a manutenção dos aparelhos e a rotina dos colaboradores, e tomar as medidas cabíveis para que ninguém deixe de seguir as NRs. Pois o não cumprimento delas pode ocasionar problemas graves, tanto para a empresa, quanto para o funcionário.

Mais a frente iremos abordar as NRs com mais detalhes.

Cuidar da integridade física e saúde dos funcionários

O departamento se preocupa em cuidar da saúde e integridade dos colaboradores, e isso no âmbito físico, mental e psicológico. Os profissionais do departamento irão aplicar os conhecimentos de segurança e medicina do trabalho, avaliando ambientes de trabalho e medindo riscos de acidentes, doenças e situações de risco.

Avaliar os ambientes de trabalho

Essa é a função principal exercida pelo profissional de segurança do trabalho: avaliar o ambiente de trabalho e realizar os diagnósticos cabíveis sobre quais são os riscos existentes.

Esse estudo pode ser feito através de uma avaliação qualitativa, que são conversas com empregados de cada setor; ou de forma quantitativa, feita com a utilização de equipamentos específicos para identificar e medir possíveis riscos.

Determinar procedimentos e cuidados

Através das duas tarefas citadas acima (cuidar da integridade física dos funcionários e avaliar os ambientes de trabalho), o profissional de segurança do trabalho poderá então elaborar o mapa de risco, e buscar ações que resolvam os perigos existentes, educando os gestores e demais funcionários sobre as ameaças, e efetuar treinamentos para as operações.

Demais atividades exercidas pelo departamento de segurança do trabalho

Além das atividades citadas, o setor também conta com diversas outras. Confira abaido:

  • Preencher CAT e EPP;
  • Acompanhar perícias;
  • Fazer a divulgação do mapa de risco e o programa de segurança;
  • Elaborar o laudo ergonômico;
  • Realizar inspeção periódica e fazer o envio de relatórios;
  • Elaborar a ordem de serviço operacional.
  • Entre outras…

Normas regulamentadoras (NR): o que são

As NRs são orientações que instruem procedimentos obrigatórios, que devem ser aplicados para a proteção da saúde e segurança dos colaboradores. Elas trazem detalhadamente tudo que deve ser exercido pelas entidades afim de garantir a segurança no ambiente de trabalho.

Essas normas são elaboradas por comissões específicas, formadas por representantes do governo, funcionários e empregadores, e devem ser seguidas à risca em qualquer empresa que possua funcionários regidos pela CLT.

As principais normas regulamentadores

  • NR 1 – Disposições gerais: apresenta os direitos e deveres das empresas, colaboradores e também do governo. É o documento base para a aplicação de todas as outras NRs. A NR1 considera empregador qualquer instituição que possua funcionários formais.
  • NR 2 – Inspeção prévia: ordena que todo estabelecimento deve solicitar a inspeção e aprovação das instalações pelo Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) antes de iniciar suas atividades e/ou ao realizar modificações no ambiente. Caso a inspeção do MTE na empresa a reprove, a empresa ficará proibida de funcionar.
  • NR4 – SESMT: define quando um estabelecimento precisa constituir o SESMT: grupo formado por profissionais da área de segurança do trabalho e saúde. O SESMT trabalha para reduzir ou eliminar os riscos no trabalho, impondo o uso das EPIs, orientando os colaboradores, registrando ocorrências de acidentes, entre outras funções.
  • NR5 – CIPA:  define questões relacionadas ao CIPA, como sua formação, diretrizes e funcionamento.
  • NR 6 – EPI: explica o que são as EPIs (equipamentos de proteção individual) e quais devem ser utilizadas. A NR6 também ordena que a instituição forneça os equipamentos aos seus funcionários, além de capacitar e registrar todos que os utilizem.
  • NR 7 – obrigatoriedade do PCMSO: O PSMSO (Programa de Controle Médico de saúde Ocupacional) tem como objetivo a preservação da saúde dos funcionários. Preservando, rastreando e diagnosticando precocemente agravos relacionados à saúde do trabalho. A NR7 define a obrigatoriedade da implementação desse programa nas instituições, que deve ser coordenado por um médico do trabalho, que mapeará as zonas de risco e também coordenará a realização de todos os exames ocupacionais periódicos.
  • NR 10 – eletricidade: define a segurança nos serviços que tenham contato direto ou indireto com a eletricidade, elaborando processos preventivos, evitando acidentes fatais.
  • NR 15 – insalubridade: determina quais as condições consideradas insalubres.
  • NR 18 – indústrias da construção: define normas de prevenção e controle de segurança nos processos, meio ambiente e condições de trabalho no setor de construção.
  • NR 26 – sinalização de segurança: estabelece regras sobre a sinalização de segurança, assim como a indicação das cores que deverão ser utilizadas em cada ambiente. a NR 26 também orienta quanto a rotulagem, classificação elaboração da ficha dos produtos químicos, entre outros detalhes. Os colaboradores devem também receber treinamentos adequados para compreenderem todas as sinalizações.
  • NR 35 – trabalho em locais altos: define diretrizes para a segurança e requisitos mínimos para o trabalho em locais com risco de queda, garantindo a segurança dos funcionários em atividades acima de dois metros do nível inferior.

Vantagens que uma boa gestão de segurança do trabalho trazem para uma empresa

Uma boa gestão de segurança do trabalho em uma empresa traz inúmeras vantagens, abaixo listamos os mais evidentes:

Redução dos custos

Sim, é verdade que é necessário certo investimento para manter a gestão de segurança do trabalho em dia em uma empresa, mas a minimização dos riscos evitam diversos problemas e custos, que muitas vezes são altíssimos. Veja abaixo alguns dos problemas que a segurança do trabalho evitam.

  • Indenização à funcionários, decorrente de acidentes de trabalho
  • Multas de órgãos fiscalizadores
  • Danos às máquinas
  • Afastamento constante de colaboradores

Aumento na produtividade

Se o ambiente de trabalho estiver mais seguro, todo processo organizacional se tornará mais fluído e agradável, fator muito importante para que a produtividade dos colaboradores esteja alta, pois eles estarão mais motivados a trabalhar, com mais confiança na equipe.

Aumento na qualidade de vida dos funcionários

Com a aplicação de todas as NRs cabíveis a empresa, uma melhor qualidade de vida será promovida a todos os colaboradores no ambiente de trabalho.

Reduz (ou elimina) as reclamações trabalhistas

A gestão de segurança do trabalho diminui consideravelmente o índice de reclamações trabalhistas em uma empresa, o que torna possível uma maior organização financeira, influenciando até mesmo em melhores condições de empréstimos e financiamentos em instituições financeiras.

Bônus: 7 dicas essenciais para quem deseja fazer uma excelente gestão de segurança do trabalho

Confira abaixo algumas das dica mais eficazes para que você exerça sua gestão de segurança do trabalho com maestria, garantindo sempre a melhor qualidade e impressionando seus superiores.

1. Se atualize e compartilhe sempre seus conhecimentos

É obrigatório ao profissional Técnico de Segurança do Trabalho conhecer todas as leis e normas que se aplicam à empresa que o contratou. Mas, se este conhecimento fica guardado somente para si, o cumprimento de todas as regras fica comprometido, pois o profissional TST precisa contar com a colaboração de todos os funcionários de uma organização para garantir que as ações de segurança sejam respeitadas e contínuas.

2. Elabore um checklist

Para uma gestão de segurança impecável, é essencial que você utilize um checklist para manter o controle da manutenção dos equipamentos, EPIs, materiais, entre outros ítens. Assim será possível acompanhar os processos, evitando a perda de controle.

Abaixo alguns itens que devem contar em sua lista:

  • Verificar o estado das ferramentas, enviando para o reparo todas que apresentarem algum tipo de problema
  • Acompanhar o estado e utilização de todos os EPIs cabíveis para o ambiente de trabalho da empresa
  • Certificar-se de que todas as máquinas estão em plena operação, com toda manutenção em dia.

3. Realize treinamentos

Os treinamentos são importantes para engajar os funcionários nas questões de segurança no ambiente de trabalho. O ideal é que esses treinamentos sejam realizados de forma constante, reforçando o conhecimento de todos os colaboradores.

4. Realize programas de incentivo

Por exemplo, a empresa pode recompensar funcionários pela utilização correda de EPIs e do cumprimento à risca dos procedimentos de segurança.

5. Atenção na manutenção das máquinas

Crie um cronograma completo para a manutenção das máquinas utilizadas pelos funcionários da empresa. É essencial que você, como profissional de segurança, conheça bem os tipos de manutenção cabíveis para o maquinário da empresa e os aplique de forma preventiva, corretiva e preditiva.

6. Use a tecnologia a seu favor para obter mais organização

Como técnico de segurança, você deverá ter boas noções de informática, afinal, planilhas vão estar esperando para serem criadas e preenchidas por você. Além delas, programas criados especificamente para a área exigirão desenvoltura para obter bons resultados no comando das suas equipes.

Cuidar da saúde das pessoas exige muita atenção e organização. A tecnologia é uma grande aliada nesses quesitos.

7. Não abandone o CIPA

É necessário estar sempre presente fazendo reuniões, perguntas individuais, pedido de sugestões, feedbacks e ensinamentos. É necessário encantar as pessoas que entraram nessa “aventura” e ao mesmo tempo demonstrar o quanto a atividade deles é séria e merece atenção diária.

Agora que você já sabe o que é a Segurança do Trabalho e seus principais pormenores, é hora de colocar em prática, mantendo tudo em conformidade com as normas e garantindo a saúde e segurança de todos os funcionários na sua empresa.

Como dito anteriormente, uma boa gestão de segurança do trabalho traz impactos positivos poderosos em diversas áreas de uma instituição.

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